RE…2020
Pensar que se existir uma percentagem de pessoas que até consigam executar uma que seja destas sugestões, não vamos ser impactantes no resultado global.
Nesta época do ano andamos todos mais preocupados com o futuro, com os projetos para o ano que se avizinha. No entanto não deixa de ser curioso que nunca, ou por falta de atenção, ou porque realmente é verdade, se tenha falado tanto de questões ambientais, reciclagem e reutilização, em suma o que será o tema do futuro a “economia circular”.
Durante o último mês assisti várias palestras, apresentações e demonstrações de interesse em criar uma sensação de responsabilidade e de compromisso social, fiquei muito intrigado com algumas declarações e até mesmo dados apresentados em relação ao que será o futuro do mundo, desde do aumento da temperatura média que provocará inúmeras catástrofes naturais que terão maior incidência nos países com localização mais vulneráveis a este tipo de demonstrações da força do planeta. De uma coisa podemos ter a certeza, aconteça o que acontecer o planeta vai ser mais resistente que qualquer humano, diria até que qualquer espécie de vida.
Então, sempre que os oradores emitiam algum conselho, sugestão ou mesmo apelo é para que sejam realizadas alterações ao nosso modus-operandos, isto é, nós como indivíduos devemos: deixar de consumir tanta carne, tentar desperdiçar menos água, menos luz, deixar de utilizar os combustíveis fósseis etc, etc… sendo que, apesar de concordar com estas medidas cliché que passaram a ser habituais, normais e correntes, devemos pensar mais além! Pensar que se existir uma percentagem de pessoas que até consigam executar uma que seja destas sugestões, não vamos ser impactantes no resultado global.
Quando pensamos na economia circular voltamos a depararmo-nos com o problema de sempre… quanto custa a operação ou operações, será que vale a pena pensar nisso. Eu quando era miúdo, apesar de ter nascido no final dos anos 70, ainda vivi a era do vidro reutilizável, havia deposito para a entrega das garrafas, frascos e garrafões, nessa altura não existiam praticamente latas de refrigerantes, antes ainda apareceram os pacotes e sacos plastificados para bebermos com as famosas palhinhas. Voltando aos vidros, o impacto na logística inversa era muito elevada, voltamos ao custo que está envolvido na operação, é sempre o custo que provoca as maiores mudanças, ou o custo monetário, mas também o custo em esforço, nós no nosso instinto mais básico reagimos como os animais na poupança de recursos para atingirmos os nossos objetivos. Estes são onde temos que nos focar no futuro, nos objetivos, não nos objetivos macro ambientais, nem nos macro económicos que são para as nações e para as cimeiras… mas sim nos nossos objetivos enquanto indivíduos de uma sociedade que não tem objetivos definidos nem claros, mais grave é que até nem valores existem, mas isso será para outra reflexão!
Os objetivos tem de ser bem definidos e claros, devem ser escritos e lidos com frequência, isto é o que a teoria diz, mas na prática sabemos que a teoria é outra, então sugiro que os objetivos sejam mais que métricas, que sejam pensamentos que nos façam alterar o nosso pensamento e o nosso modo de pensar, avaliarmos a nossa condição e pensar o quê e como podemos contribuir para que o mundo seja mais sustentável. Penso que seria muito mais fácil dizermos que de hoje em diante não vamos comer mais carne, ou não vamos andar de avião… O que precisamos é de sensibilizar as nossas crianças que temos de optar por fazer as coisas de maneira diferente, e eles sim vão ser realmente a força motora para esta revolução necessária.
O maior desafio da economia circular está na humanidade, temos que estar predispostos para mudarmos hábitos, tendências e aceitar a condição de recursos limitados! Quando repararmos em vez de substituirmos, quando reciclamos em vez de construir, quando reutilizarmos em vez de usarmos o mundo vai ser melhor, nós vamos começar a mudar a história.
Nesta reflexão tenciono dar uma visão do meu pensamento para um futuro melhor, por isso, tenho a certeza que só conseguiremos ultrapassar esta fase se nos basearmos nas experiências do passado para projetarmos o futuro. Precisamos de ser: mais tolerantes, mais colaborantes e mais flexíveis. Ser mais tolerantes uns com os outros, pensarmos que podemos um dia estar no lugar do outro, nem todos os dias são bons! Mais colaborantes com a sociedade, envolvermo-nos mais com a nossa comunidade, deixar o discurso do “eles” e optar pelo nós fazemos, não podemos, nós construímos ou nós não desistimos. E mais flexíveis em tudo, na alimentação, na fé, nos nossos ideais e nos nossos relacionamentos… A flexibilidade provoca em nós a liberdade de podermos ter opinião sem que seja imposição. Para eu ter razão ou liberdade, o outro não tem necessariamente de concordar. Todos temos o nosso espaço e a nossa identidade, ninguém tem o direito de condicionar a vida dos ninguém, sejam eles filhos, esposos, companheiros, amigos, seguidores ou crentes, independentemente de raça, género ou idade.
Sabemos o que aconteceu no passado, sabemos principalmente o que não queremos que aconteça! O futuro só será prospero se nós simplificarmos!
A vida é simples… basta aceitar!




